Espirros poéticos e pseudo-verdades

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Dia da Poesia

Hoje me debrucei nesse papel para dizer algo a você
você mesmo
que está parado olhando minha letra feia
pensando se eu estava escabelado
ou se realmente tinha algo a dizer
enquanto matava tempo nessa escrivaninha
é, eu não tinha
mas não importa
e a propósito
eu estou escabelado
e com remela
imaginou isso também?
Eu sempre quis ter algo a dizer
de preferência sem gastar muita tinta
sabe, pra evitar nossa fadiga
mas não importa
para dizer algo não é necessário ter uma grande idéia
pelo menos pra começar
com o passar das linhas as vezes surge algo legal
e quando não surge você para um pouco
olha as linhas
e descobre que a frase “mas não importa”
se repetiu na linha 8 e 16
mas não importa
pronto, agora foi na linha 24
até que isso foi legal
mas não diz muita coisa
aliás
não diz nada
a quem diga que escrever sem ter o que dizer
é como mencionar o nome de Deus em vão
mentira
ninguém disse
inventei isso agora
mas acho até que pode ser
mas talvez nem tanto
mas não importa
droga, era pra ser na linha 32 ou 40
dane-se
cansei de pensar
pensa aí

mantive você preso por todo esse tempo
pra nada
me desculpe por isso
Aliás, hoje é aniversário do Einstein
Agora que aprendeu algo novo
volte a fazer o que estava fazendo.

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Paulinha

São tão belas as orelhas de Paulinha
No marfim talhado à sopro: ouro e pérola,
Escoradas hastes e fios longos de ébano,
São versáteis as orelhas de Paulinha

Duas pintas que se escondem pelas costas
Só se mostram aos atentos atrevidos
No relance do ajeitar do fio inquieto
Pela mão que leva a bala de hortelã.

São espertas as orelhas de Paulinha
Quase lembram-me uma estrela co’esse lóbulo
Onde nem sequer cabe a mordida, ínfimo
São discretas as orelhas de Paulinha

Mira o canto toda vez que a porta bate
A Maçã… Sem palavras.


Paulinha, te endireita
O teu nariz me desconcentra.

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De verso livre e verso branco
Todo raso tem um tanto.
Já verso verso, preso, preto
Faz do branco mais que tanto.

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Lena

Lena, cante aquele verso
Pois não li o insatisfeito
Que, como eu, pintou o leito
Margem vã do rio inverso.

Lena, salve o pobre anverso
Desse troço putrefeito
Que, como eles, dei um jeito
De encontrar tua voz, emerso.

Olhos viram cachoeiras
Rimas, gotas desta leva
Caem rimadas p’ra que infiras

Desta poça, tela coeva
-Enricaras e nem viras-
Que onda é a gota que nos leva?

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Confunde-se livro com conhecimento da mesma forma que se confunde televisão com alienação.
Um livro pode emburrecer tanto quanto um canal de televisão.
Basta não saber trocar de canal, digo, de estante.
@beanflugel

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