Hoje me debrucei nesse papel para dizer algo a você você mesmo que está parado olhando minha letra feia pensando se eu estava escabelado ou se realmente tinha algo a dizer enquanto matava tempo nessa escrivaninha é, eu não tinha mas não importa e a propósito eu estou escabelado e com remela imaginou isso também? Eu sempre quis ter algo a dizer de preferência sem gastar muita tinta sabe, pra evitar nossa fadiga mas não importa para dizer algo não é necessário ter uma grande idéia pelo menos pra começar com o passar das linhas as vezes surge algo legal e quando não surge você para um pouco olha as linhas e descobre que a frase “mas não importa” se repetiu na linha 8 e 16 mas não importa pronto, agora foi na linha 24 até que isso foi legal mas não diz muita coisa aliás não diz nada a quem diga que escrever sem ter o que dizer é como mencionar o nome de Deus em vão mentira ninguém disse inventei isso agora mas acho até que pode ser mas talvez nem tanto mas não importa droga, era pra ser na linha 32 ou 40 dane-se cansei de pensar pensa aí … mantive você preso por todo esse tempo pra nada me desculpe por isso Aliás, hoje é aniversário do Einstein Agora que aprendeu algo novo volte a fazer o que estava fazendo.
São tão belas as orelhas de Paulinha No marfim talhado à sopro: ouro e pérola, Escoradas hastes e fios longos de ébano, São versáteis as orelhas de Paulinha
Duas pintas que se escondem pelas costas Só se mostram aos atentos atrevidos No relance do ajeitar do fio inquieto Pela mão que leva a bala de hortelã.
São espertas as orelhas de Paulinha Quase lembram-me uma estrela co’esse lóbulo Onde nem sequer cabe a mordida, ínfimo São discretas as orelhas de Paulinha
Mira o canto toda vez que a porta bate A Maçã… Sem palavras.
Paulinha, te endireita O teu nariz me desconcentra.
Confunde-se livro com conhecimento da mesma forma que se confunde televisão com alienação.
Um livro pode emburrecer tanto quanto um canal de televisão.
Basta não saber trocar de canal, digo, de estante.